“Um é bom, dois é demais… ou um é pouco, dois é pouco, três é pouco…”
No que diz respeito a impressões iniciais, a disparidade entre ambos ACISOs é evidente. Enquanto a empolgação reinava na primeira ocasião, a desilusão toma conta da segunda operação.
Afinal, é difícil revisitar uma comunidade indígena após três meses e descobrir que nada mudou. As condições de higiene continuam precárias, as parasitoses persistem altamente prevalentes e o acesso à saúde permanece complicado. Obviamente que se trata de um curto intervalo de tempo, mas é inegável a sensação de impotência e insignificância – e impossível não pensar: “O que diabos estamos tentando fazer aqui?”
A cada albendazol prescrito, a cada injeção de diclofenaco, vai-se embora um pouco do ânimo da equipe. E a cada poster de político na parede, mais indignação.
E como responder à pergunta acima? Bem, talvez estamos apenas tentando ajudar um pouco a população, da melhor maneira que podemos, ou talvez seja apenas uma maneira de livrar nossas consciências da culpa da omissão – aquela história de “pelo menos eu fiz minha parte”; talvez seja somente uma grande propaganda do Exército, ou talvez estamos mesmo tentando, ingenuamente, mudar o mundo. No fim, trata-se provavelmente de um pouco de tudo isso.
O moral vai lá em baixo, definitivamente… mas, no fim do dia, ver a gratidão da população carente ajuda a preparar o espírito para mais um dia de atendimentos. Missão dada, missão cumprida – mesmo que não seja a mais eficaz das missões.

Selva!
