Textos categorizados '11 de setembro'

Setembro

É fácil achar fatos que, ao serem agrupados, resultem em uma conclusão extraordinária – a qual, na maioria das vezes, é simplesmente errônea. Quem não se lembra da famosa pirâmide do futebol, que teoricamente previa quais nações seriam campeãs das Copas do Mundo? Faz parte da mente humana procurar padrões, lógicas, algo que a ajude a entender aquilo que se passa ao seu redor. Afinal, é muito mais fácil compreender a ordem do que o caos.

Pode-se dizer, por essa lógica, que setembro é um mês amaldiçoado. Foi nele que a 2a Guerra Mundial teve seu início; foi nele também que ocorreu o massacre das Olimpíadas de Munique, provavelmente o pior desfecho de um seqüestro já visto (todos os onze reféns foram mortos). Ambos esses fatos, no entanto, não são lembrados pelo mês em que aconteceram. Na realidade, poucas tragédias são. Exceto aquela que aconteceu 7 anos atrás.

9/11

"A day just like any other. Except that it wasn`t"

September 11. Sim, uma tragédia. Mas ela merece mais atenção que o genocídio em Darfur? A guerra na Geórgia? O desastre do tsunami no sudeste asiático? Talvez. Quem sabe? A realidade é que é muito difícil avaliar a importância de um acontecimento após tão pouco tempo, enquanto ainda estamos em sua bolha de conseqüências. Mais adequado, e diria até mais pertinente, é analisar como pessoas, individualmente, foram afetadas pelo ocorrido. E dessas histórias aprender um pouco mais sobre o comportamento humano.

É nesse contexto que uma história em particular salta aos olhos. Durante os minutos entre o choque dos aviões e a queda das torres gêmeas, quase 2000 pessoas ficaram presas nos andares superiores ao ponto de impacto. Impossibilitadas de descer pelas escadas ou elevadores, elas se viram acuadas pelo fogo e pela fumaça cada vez mais insuportáveis. O que fazer nessa situação? Cerca de 200 pessoas tomaram uma decisão.

The Falling Man

The Falling Man

É possível que alguma das vítimas que decidiram pular realmente acreditasse na sobrevivência, após uma queda de mais de 300 metros? Sim. É provável? Dificilmente. A escolha, para elas, não era entre a vida e a morte. Era puramente uma escolha de como se iria morrer – lentamente, queimados pelas chamas de 1000 graus celsius e intoxicados pela fumaça, ou rapidamente, num piscar de olhos. Em palavras, é fácil definir a melhor opção. Impossível é saber o que se passou na cabeça de cada um que pulou, momentos antes do ato fatídico. Pode-se apenas especular: imagine um católico praticante, preso entre um incêncdio escaldante e uma janela. Seria melhor enfrentar o inferno mundano, por pior que fosse, ou enfrentar o inferno eterno, punição para o suicídio que seria saltar do prédio?

A antecipação da morte é pior que a morte por si própria, diz um velho ditado. Um outro ditado vem à mente, e, embora não acredite plenamente em seu conteúdo, às vezes ele é extremamente real. Sim, às vezes, a ignorância é uma bênção.



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