Textos categorizados 'cinema'

Ticket Stubs – “Frost/Nixon”

Frost/Nixon

Frost/Nixon

Chega em um momento peculiar a notícia do falecimento de Mark ”Deep Throat” Felt , o informante mais famoso da história norte-americana (e, por que não, da história mundial) – nas vésperas do lançamento de Frost/Nixon, desde já candidato fortíssimo ao Oscar 2009. Para quem se interessar, fica a dica de assistir Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men), de Alan J. Pakula. O filme retrata de maneira fiel o papel dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein na investigação do escândalo de Watergate, com a ajuda de Felt. Com certeza um dos melhores longas de todos os tempos.

F/N, de Ron Howard, não possui o mesmo brilho de sua contraparte. O filme, adaptado por Peter Morgan de uma peça escrita por ele próprio, mostra o embate entre o jornalista David Frost e Richard Nixon na histórica entrevista concedida pelo ex-presidente após sua renúncia. Como dois boxeadores em um ringue, Frost e Nixon batalham por honra e glória, sabendo que somente um poderá sair vencedor. Embora o longa seja definitivamente impactante, fica a impressão de que o espetáculo teatral deva ser muito mais interessante.

Ticket Stubs – “Into the Wild”

O que são ticket stubs? São os bilhetes dos ingressos (de cinemas, teatros, shows), mais especificamente, neste caso, a parte que fica com o espectador. Assim como muitas pessoas, tenho o costume de guardar os stubs de todos os filmes que assisto

E o que isso tem a ver com o blog? Bem, aqui, Ticket Stubs representará uma categoria de posts nos quais comento brevemente sobre os filmes que assisti recentemente (coisa de um ou dois parágrafos), eventualmente também de shows e coisas afins. Inaugurando essa nova seção do blog, portanto, está o filme “Into the Wild” (Na Natureza Selvagem).

Raramente surge um filme que, de tão único e preciso em sua mensagem, provoca um sentimento diferenciado em quem o assiste – não um simples “gostei” ou “não gostei”. Tal é o caso no que diz respeito a “Into the Wild”, de Sean Penn. Acredito que a melhor descrição do filme foi feita pelo AFI (American Film Institute), quando elegeu-o um dos 10 melhores do ano de 2007. Segue o trecho:

INTO THE WILD is a vast journey across America – and deep inside oneself. Writer/director Sean Penn’s sensitive adaptation and expansive direction brilliantly captures the exuberance and idealism of youth – and the danger of pushing love away. The story lives in the eyes of Emile Hirsch, the warm smile of Catherine Keener, and the luminous spirit of Hal Holbrook. INTO THE WILD celebrates the dreamer in all of us – and the danger of dreaming alone.

Primeiro Post – Top Five: Filmes

Como começar o blog? Após horas e horas matutando, cheguei à conclusão mais óbvia: procrastinar rulez, e eu não tenho mais o que fazer da vida. O que, na realidade, é mentira – só o que eu tenho que estudar já me deixaria ocupado pelo resto do ano. Mas anyway… Perguntei então a meus amigos qual a segunda coisa em que pensavam quando meu nome era mencionado (porque a primeira é melhor nem saber), e a resposta foi unânime – filmes. Nada mais adequado que um top five dos filmes desta década (um all-time top five é muito trabalhoso – fica pra depois, se esta bagaça sobreviver). Ah, top fives serão uma constante aqui – influência do grande Nick Hornby e sua High Fidelity, e não, ao contrário do que muitos possam pensar, do CQC.Obviamente, minor (or not-so-minor) spoilers ahead.
5. Réquiem Para Um Sonho
(Requiem for a Dream – Darren Aronofsky, 2000)

“Why should I even make the bed, or wash the dishes? I do them, but why should I? I’m alone. Your father’s gone, you’re gone. I got no one to care for. What have I got, Harry? I’m lonely. I’m old.”

À primeira vista, um filme com uma mensagem simples e, por que não, simplória: drogas fazem mal à saúde (pelo menos é o que o Ministério da Saúde vive dizendo). Mas à medida em que se passam os minutos, percebe-se que Réquiem Para Um Sonho é muito mais que somente uma mensagem. A visão de Darren Aronofsky sobre o livro de Hubert Selby Jr. é devastadora, não somente porque mostra todas as conseqüências do vício (vício esse num contexto amplo, não relacionado exclusivamente a drogas), mas também porque mostra alguns dos motivos que levam uma pessoa a ele.
O grande destaque do longa é, sem dúvida alguma, Ellen Burstyn. Ela interpreta Sara Goldfarb de maneira tão realista e passional que evita a composição de uma personagem caricata (o que seria extremamente fácil nas mãos de uma atriz comum, dado o roteiro repleto de situações inusitadas). Outro ponto digno de nota é a trilha sonora composta por Clint Mansell. O tema principal, Lux aeterna, talvez seja um dos mais memoráveis de todos os tempos. Por sinal, vale a pena ouvir a trilha de Fonte da Vida, também com trilha de Mansell e direção de Aronofsky (mesmo que o filme em si não seja tão bom assim).

4. Oldboy
(Idem – Chan-wook Park, 2005)

“Even though I’m no more than a monster – don’t I, too, have the right to live?”

Dentes arrancados com um martelo, ao som de As Quatro Estações – Inverno, de Vivaldi? Cena de luta em um take, mostrando o embate de um homem contra dezenas de homens armados? O mesmo homem com um polvo inteiro (e vivo!) em sua boca? Sangue, sangue e mais sangue? Muitos diriam que só isso já basta para incluir Oldboy num top five da década, mas a realidade é que o longa não pode ser reduzido a uma porção de cenas cult (e definitivamente não merece o rótulo de um filme what-if-Tarantino-were-Asian).O sentimento de vingança é, possivelmente, o mais nonsense dentre todos aqueles experienciados pelo homem. O que nos leva a desejá-lo? Para Oh Dae-su (brilhantemente interpretado por Min-sik Choi), a resposta é simples: 15 anos de prisão, sem explicações. O ponto de partida de Oldboy é, na realidade, muito mais do que aparenta ser. A odisséia de Oh Dae-su para punir aqueles que o encarceraram, também.*

O filme de Chan-wook Park (vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes) mostra até que ponto pode chegar o desespero de um homem em sua busca por “justiça”, bem como as conseqüências daquilo que se faz ao longo de tal busca (e da própria vida). O final surpreendente nos leva a questionar: quem realmente conseguiu sua vingança?

*Uau, essa frase dá até pra botar no pôster do filme, hein!

3. Antes do Pôr-do-Sol
(Before Sunset – Richard Linklater, 2004)

“I guess when you’re young, you just believe there’ll be many people with whom you’ll connect with. Later in life, you realize it only happens a few times.”
Provavelmente uma das melhores seqüências que Hollywood jamais conseguirá fazer, Antes do Pôr-do-Sol fez muita gente dormir no cinema (“Mas eles só conversam sobre nada!”). Aqueles que realmente o assistiram (e, de preferência, também viram Antes do Amanhecer – um dos melhores filmes da década de 90) presenciaram um incrível trabalho do diretor Richard Linklater. E também sabem que é impossível comentar sobre um sem mencionar o outro.
Dizem por aí que quem é romântico (o que, na maioria das vezes, significa ser jovem e ingênuo) gosta mais do primeiro; quem é realista (portanto – seguindo a lógica – maduro e desiludido) aprecia mais a seqüência. A verdade é que Antes do Amanhecer é um filme romântico, mas com um desfecho extremamente realista, mesmo que aberto a diferentes interpretações. Antes do Pôr-do-Sol é seu contraponto: um filme realista com um final romântico – again, mesmo que aberto a diferentes interpretações. Resumir ambos a somente um punhado de frases de efeito é algo perigosamente prepotente, eu sei, mas ajuda a identificar toda a bagunça de sensações que geralmente toma conta do espectador após uma dupla sessão. No final das contas, pode-se dizer que essas duas obras-primas* são como O Apanhador no Campo de Centeio, do Salinger. Como assim?? Para melhor as entender, deve-se assistir a cada uma pelo menos duas vezes – uma vez quando jovem e outra após a maturidade. Daqui a uns 20 anos eu escrevo de volta pra dizer como (e se) minha opinião mudou. Por ora, prefiro Antes do Amanhecer (por um fio!).

*meio paradoxal esse uso do termo, eu sei.

2. Elefante
(Elephant – Gus Van Sant, 2003)

“Eeney… Meeney… Meiny… Moe… Catch a… Tiger… By its… Toe …”

Anos se passaram desde o massacre de Columbine, mas o ‘pequeno’ drama de Gus Van Sant soa mais atual que nunca. E não é porque tiroteios são chocantes; é justamente pelo oposto. A banalização da violência nas escolas do mundo todo criou aquela atmosfera de “pode acontecer com seus filhos”, algo inimaginável no tempo em que nossos pais estudavam no ginásio (uma palavra que nossos pais adoram dizer, junto com “científico”).

O que torna Elefante um filme acima do ordinário é sua recusa em apresentar respostas fáceis. Várias situações que poderiam ter contribuído para o massacre são apresentadas, mas nunca se sabe o que realmente motivou os dois jovens a executar seus próprios colegas (e a si mesmos). É raro no cinema atual um filme mais preocupado em perguntar do que responder (essa é uma indireta pra você, Oliver Stone), especialmente quando a pergunta é simples porém marcante: Por Quê?

1. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
(Eternal Sunshine of the Spotless Mind – Michel Gondry, 2004)

“Meet me… in Montauk…”
Eu poderia escrever milhões de coisas a respeito de Brilho Eterno… mas ficaria sempre a sensação de arrependimento, de não ter feito justiça à sua qualidade. E, assim como no filme, eu apagaria tudo de minha mente (ou do blog). Então, basta dizer uma coisa (ok, duas… err, três coisas):
1. Charlie Kaufman deve fumar muita maconha
2. Jim Carrey = underrated
3. Jon Brion = foda.
Mencões honrosas:
Filhos da Esperança (Children of Men – Alfonso Cuarón, 2006)
Tiros em Columbine (Bowling for Columbine – Michael Moore, 2002)
Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums – Wes Anderson, 2001)
2046 – Os Segredos do Amor (2046 – Wong Kar-wai, 2004)
Dogville (Idem – Lars von Trier, 2003)



Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.